
Homenagem a James D. Yancey a.k.a J- Dilla (divulgação Nike)
“O produtor favorito do seu produtor favorito” – The Source (06/04/06)
Você já ouviu falar no nome de James Dewitt Yancey? Talvez seja mais fácil chamá-lo de Jay Dee ou J-Dilla. E então, algo vem a sua mente? Se sim, muito bem. Caso contrário, não se desespere, pois você está prestes a saber um pouco da história de um grande homem que amava o que fazia. Faleceu há três anos e se estivesse vivo, hoje teria 35. Mas essa não é uma boa hora para a tristeza, e sim para celebrar a vida.
Filho de Beverly Yancey , professor de técnicas vocais e baixista, que por sua vez era amigo de Berry Gordy, fundador da gravadora Motown. A mãe, Maureen, ou Ma Dukes, era uma cantora daquelas com capacidade de ir do gospel ao jazz, passando até pela ópera. O pequeno Yancey foi encorajado a se manter longe das ruas e de encrenca, se aproximando da música seja em um coral ou de seus primeiros e preciosos discos.
Ele foi integrante do lendário Slum Village, grupo em que – o até então Jay Dee – passou a ser mais conhecido como MC e também produtor. Trabalhou com os mais diversos grupos, como Pharcyde, De La Soul, Busta Rhymes, A Tribe Called Quest , Talib Kweli, Common, Erykah Badu e vários outros.
Queria ser como Pete Rock, e admitiu isso sem problemas. Em 2001, passou a usar o nome J-Dilla, principalmente para se diferenciar de Jermaine Dupri, que em sua abreviação de nome também era um J. D (Jay Dee). Iniciou sua carreira solo com o conhecido “Fu&% the Police”, que é um som obrigatório em muitas festas.
Dilla era um cara reservado, que estava além dessas brigas de underground e mainstream. Ele tinha uma postura mais voltada para os artistas alternativos, mas nunca se pronunciou contra os gangstas. Tinha seus luxos, exemplo disso é um Cadillac que ele tinha, carinhosamente chamado por ele de “Dillalade”.

J-Dilla; mais que um músico, um cientista da música (by B+)
Quem fala mais sobre o lugar que J-Dilla ocupava é um grande fã seu, o jovem produtor e MC, Tiago Frúgoli, o Rump. “Acho que transcende o underground e o mainstream, pelo menos em relação aos produtores. Tem muito produtor underground daqui, da Holanda, da África do Sul e de outros lugares tendo o Dilla como uma das principais referências. Do outro lado, você vê em depoimentos que caras que nem o Pharrell, K. West, Just Blaze que o Dilla, apesar de nunca ter tido as vendas que eles têm, tem uma considerável influência no trabalho deles.”
Criou clássicos modernos e redefiniu fronteiras antes bem delimitadas. Dedicado, cheio de disciplina e criatividade, colocou Detroit, sua terra natal, no mapa muito antes de Eminem tê-lo feito em 99′. O MC e produtor paulistano, Parteum, dá a dica do teor das rima de Dilla, e traduz uma de suas provocações em uma letra. “Um salve para o meu chegado Killagan. E todos os meus irmãos representando Detroit mais do que doze Eminems” (por causa do grupo D12, que faz parte da banca de Eminem) – Reunion, Slum Village. No entanto, sempre esteve longe das massas. Diziam que ele poderia reproduzir a batida de qualquer produtor, mas ninguém poderia reproduzir os beats de Dilla.
Parteum também assume o significado do trabalho de Dilla em sua carreira. “Assim como o trabalho de Pete Rock e o Premier, a música de J Dilla ainda influencia a construção rítmica dos instrumentais que crio. O uso de frequências com pouco ataque nas linhas de baixo, o que tem a ver com Reggae e Tecnno de Detroit, a tradição do Sloppy Drumming, essa parada de não quantizar os beats, a idéia de criar música híbrida: 1/3 eletrônica – 1/3 sampleada e recortada – 1/3 acústica (O remix para “I Try” de Macy Gray é um bom exemplo)”.
O rapper não poupa palavras e diz qual a real importância do que Jay Dee fez para a música. “Eu acredito que quando o assunto é produção, esse cara criou uma escola. É um músico para ser estudado pelo conjunto da obra, assim como grandes nomes do Jazz”, explica. E o que esse produtor e MC de Detroit fazia de tão diferente? “Um dia ele estava sampleando e recortando tudo, outro dia ele tocava os instrumentos… Ainda no começo da carreira ele levou a idéia de filtragem de samples para um outro lugar. Um exemplo: O uso de Holding You, Loving You (Don Blackman) em Go Ladies (Fantastic Vol. 2). É claro que Pete Rock, Beatminerz e o próprio Q-Tip usaram esse mesmo recurso anteriormente, mas o fato de ele combinar o corte dos samples, recriar melodias e filtrá-las faz toda a diferença.“
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=VSaQdhDRVnU&feature=related]
Em 2002, descobriu que possuia um problema muito raro: lúpus, uma doença autoimune que pode ser fatal. Nesse meio tempo, Dilla continuou trabalhando e fazendo turnês pelos Estados Unidos e pelo mundo. Três anos depois, precisou ser internado por complicações.
Percebendo que a morte estava chegando, pediu à sua mãe todos seus equipamentos para continuar fazendo aquilo que mais amava, música. Agora ele tinha à sua disposição pick-ups, mixerers, parte de seus discos, uma MPC, e seu computador. Finalizou o álbum “Donuts” dentro do hospital, que acabou sendo lançado 3 dias após sua morte.
Teve a chance de vir para o Brasil em 2005 junto de Madlib. Chegou até a comprar discos, mas não conseguiu se apresentar por causa da doença.
E como seria se ele ainda estivesse vivo? Parteum responde. “Seria mais respeitado como MC, e a família não estaria sofrendo tanto para controlar o espólio*. Tinha uma parada meio RZA nas divisões que ele fazia ao rimar. Tinha a inversão do sujeito, predicado e complementos. Um bom exemplo é o verso de The Official (Jaylib); as frases são curtas e diretas, existe uma conexão entre o primeiro e o segundo verso, mas de tempos em tempos o sujeito da ação descrita só aparece depois” , finaliza.
* Mais informações sobre isso no próximo post.
Fonte: The Source, The Vibe Magazine e o site Stones Throw.
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Neste clipe, aparecem os MC’s Common, Will.I.Am (Black Eyed Peas), Black Thought (Roots), Frank N Dank, Talib Kweli, e o irmão mais novo de Dilla, John (a.k.a Illa J) como o MC. Ma Dukes também aparece de forma discreta neste video.
Acompanhe mais comentários de Parteum e Rump sobre J-Dilla, além de outras histórias; a parceria com Madlib (Jaylib) e o legado que ficou para suas duas filhas, sua mãe (Ma Dukes) e seu irmão, Illa J. Tudo isso, no próximo post!
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Show de bola essa matéria.
Parabéns por esta matéria. J DILLA CHANGED MY LIFE!!!!!!!!!!!!!
e mudou mesmo…
Esse cara merece uma matéria desse nível. Parabéns!!! Me inspirou para um post no blog. É só conferir http://nossosomtemvida.blogspot.com/
O mestre!!!Excelente matéria!!!É necessario que essa rapaziada que esta começando a curti rap agora,conheça J. dilla e entenda por que tantas pessoas dizem que ele mudou as suas vidas!!!!
realmente grande perda……..
fica aqui o legado musical rico…..
…parabens grande materia!
Dilla foi O CARA, sem dúvida.. ou melhor, continua sendo. e eu lembro bem desse show de 2005, que o madlib acabou fazendo sozinho..
eu digo que indiretamente o cara mudou minha vida, musicalmente falando, porque lembro bem dessa “transição musical” que eu tive no rap no final dos anos 90, quando comecei a ouvir pharcyde, a tribe called quest e afins. mais tarde descobrir que quase todas minhas músicas favoritas foram produzidas por ele e que me deram um rumo musical em relação ao que eu ouço hoje..
abraço!
ai galera, pelo que vi, o album do jay dee, welcome to detroit, via bbe, saiu primeiro que o single fuck the police, que saiu via up above.
so pra complementar sobre o single, ele e parte da coletanea Exclusive Collection, junto com outros sons foda como o bullet train do dilated (que so teve o 12 no japao), Hindsight do Visionaries, collector s items com pete rock e o grap, entre outros… tudo mixado pelo rhettmatic
yeah! Jay Dilla mudou o universo Hip Hop. Buscou o melhor do passado para transformar o presente e direccionar o futuro, ele se confunde com a história do hip hop apesar d ter surgido dpois do Pete Rock e outros. Dilla ja+ morrerá. E eu não derramo lágrimas por 1 Imortal.
O álbum “Midnight Marauders”, do A Tribe Called Quest é o “clássico dos clássicos”! Tiro o meu chapéu pro J-Dilla nesse trampo fantástico. Marcou minha vida, sem dúvida. Parabéns pela matéria, pessoal! Show de bola!
Saudações mano! Mto fóda, tbm sou fã incondicional do Dilla!!! mais naum sou mto bom em inglês! gostei muito e coloquei um link de vcs no meu orkut tbm! parabéns ai, paz!
Bem legal o post, parabéns, mas quero fazer minha contribuição com esse excelente PaperToy de J Dilla (RIP) no site http://papertoyart.com/index.php/2010/03/j-dilla-rip/