Linha do tempo do rap nacional (parte II)

2004 – A novidade foi o disco “Guerreiro e Guerreira”, de Helião e Negra Li, ex-integrantes do RZO, lançado por uma grande gravadora, a Universal Music. Negra Li havia estourado com a participação na música Não é sério, do Charlie Brown Jr., no ano anterior, e com isso veio o contrato com a gravadora. A “opinião pública do rap” se dividiu e muitos criticavam o fato de a dupla se aproximar do “sistema” com essa nova empreitada. A música Guerreiro e Guerreira tocou bastante, mas o disco não decolou e foi o único desta parceria.

Mais dois lançamentos deste ano tiveram grande destaque: o carioca e ex-integrante do Planet Hemp, Black Alien, chegou com o “Babylon by Gus vol. 4 – O ano do macaco”, disco que foi produzido por Alexandre Basa e já é considerado um clássico do rap nacional; e de Brasília, veio o “Tarja Preta” de GOG, mais um belo trabalho que coroou os anos de carreira do ‘poeta’ com o prêmio de melhor disco no Hutuz.

Outros álbuns importantes:  A FamíliaCantando com a Alma; Ao Cubo – Respire Fundo; Trilha $onora do GuetoUs Fraco Não Tem Veiz; Pavilhão 9Público Alvo; ParteumRaciocínio Quebrado

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Rappin Hood (Foto de Zanone Fraissat)

2005 – O destaque foi a música Senhorita, do grupo Motirô, uma colaboração de Dj Hum, Lino Crizz e Cabal, que foi exaustivamente tocada. Com ela, Cabal alavancou sua carreira e conquistou um contrato com a Universal Music, seguindo os passos de Helião e Negra Li. Dois lançamentos importantes também foram o disco de Dexter (“Exilado Sim, Preso Não”), ex-509-E, agora em carreira solo, e o segundo de Rappin Hood (“Sujeito Homem 2”), recheado de participações de artistas já consagrados da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jair Rodrigues, por exemplo.

O ano também marcou a estreia de alguns representantes do que chamamos de rap alternativo, que buscavam fugir um pouco dos estigmas e estereótipos que acompanhavam o rap nacional desde o início de sua trajetória. Criolo Doido, com “Ainda Há Tempo”, e Pentágono, com “Microfonicamente Falando”, foram os que se sobressaíram. O grupo já havia concorrido ao VMB no ano anterior com o clipe de Na Moral.

O festival Indie Hip Hop começou a ganhar força e notoriedade nesse ano também, quando contou com uma apresentação bombástica do grupo norte-americano Jurassic 5, além de show de diversos grupos que representavam essa nova vertente do rap.

Outros álbuns importantes: Código Fatal – Sonhar Não Custa; Sistema Negro – “Renascendo das Cinzas”;Raps de Verão Vol. I; Quinto AndarPiratão;

2006 – Aqui, quem se destacou foi o grupo da zona sul de São Paulo Facção Central, que lançou o aguardado disco duplo “O Espetáculo do Circo dos Horrores”. Mas para se ter uma noção de como o rap já andava ignorado pela grande mídia, o Facção passou longe de jornais e programas de televisão neste ano, sendo lembrado apenas no prêmio Hutuz.

Ponto positivo foi o lançamento de dois bons discos por parte do Selo Equilíbrio, de Kl Jay: “É o Gigante”, do Relatos da Invasão, que explodiu com a música Picadilha Jaçanã, e Lado Beco, do Cagebê, ambos grupos da zona norte paulista. Do lado do rap alternativo, mais dois belos trabalhos que merecem ser lembrados: Ópera Oblíqua, do Mzuri Sana, e Velha Guarda 22, do Mamelo Sound System.

Outros álbuns importantes: Função RHK – Eu Amo Você; InquéritoMais Loco que o Barato; InumanosVolume 10Marcelo D2Meu Samba é Assim; SimplesEscuta Aí; Slim RimografiaIntrospectivo; Boomshot Volume Único

2007 – O grande acontecimento do ano e que atraiu mais atenção para o rap foi, infelizmente, um fato negativo. O Racionais MC’s foi convidado para encerrar a Virada Cultural em São Paulo, mas no momento do show, um quebra-quebra e uma desastrada intervenção da polícia estragaram a festa e, principalmente, a relação do rap com a mídia, que já estava desgastada.

Por outro lado, em Fortaleza, nasceu para o grande público (do rap) o grupo que considero uma das grandes apostas do rap brazuca: o Costa a Costa. Com a excelente mixtape “Dinheiro, Sexo, Drogas e Violência”, o grupo forçou a entrada no cenário nacional com muita personalidade, que ainda foi reforçada com uma polêmica entrevista para o site Bocada Forte (atual Central Hip Hop).

No mesmo ano, dois grupos do rap alternativo lançaram discos muito elogiados: o Elo da Corrente, com “Após Algumas Estações”, cheio de letras e bases muito bem trabalhadas, e o Contra Fluxo, com o duplo ”SuperAção”, demonstrando energia e habilidade contagiantes.

Outros álbuns importantes: U-TimeTrutas e Quebradas; GOGAviso às gerações; Cirurgia MoralNão dá nada, se der é pouca coisa; Realidade CruelDos barracos de madeira aos palácios de platina; ShawlinRuas Vazias; Dj Nato PKPau-de-dá-em-doido Mixtape vol. 01

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