Bem vindo a mais uma edição da coluna de maior sucesso no Per Raps: o Não canso de ouvir aka NCDO! Diferente das últimas edições, ao invés de um DJ, trouxemos um MC. E não é qualquer um, não. O nome da vez é Benjamim, diretamente da Ceilândia, no Distrito Federal.
Integrante do grupo Ataque Beliz, Benjamim é uma das pessoas que mais sugere sons na web pelo Twitter. Pelo menos entre aqueles que o Per Raps costuma acompanhar. E foi pensando nas escolhas do MC, sempre marcadas pelo bom gosto e ecletismo, que o convidamos para mostrar suas influências e os sons que não saem de seu player.
Além de MC, Benjamim é responsável também pelas capas de discos de Lívia Cruz, Aquilombando e o próprio Ataque Beliz. Também programa myspace, tem a fotografia inspirada em Sebastião Salgado no currículo e é instrumentista. Biografia à parte, agora é hora de som. Aprecie sem moderação!
A mixagem foi feita por DJ “A” (@dejotaa). Siga as dicas musicais de Benjamim no Twitter (@BenjaminAZ)
Coisa boa na TV é rara, mas foi nela que conheci através do programa “Kriptonita” o trampo desse cara. O clipe “Virtual Insanity” mostrou que vale a pena procurar mais coisas. Seus discos têm uma pegada acid jazz que fazem todos irem para pista! Escuto todos, mas indico esse hoje. Quer começar uma sexta-feira na vibe? Escute Jamiroquai! Pedrada!
17 – Michael Jackson – Thriller
Michael faz parte da vida de qualquer garoto que nasceu na década de 80 e, por isso, todo mundo curtia o seu som e queria imitá-lo na coreografia. Sou fã assumido dele, seus primeiros álbuns foram a trilha sonora da minha infância e quero passar isso para molecada que tem a idade que eu tinha quando ouvi pela primeira vez. Tive a oportunidade de comprar ele num sebo numa mini-turnê do Ataque Beliz em Fortaleza, em 2004, e fiquei feliz e chateado ao mesmo tempo. Feliz por ter encontrado o disco e chateado por ter comprado por apenas R$ 3,00 reais. Como pode ter vendido mais de 50 mil cópias e estar nesse preço? Vai saber…
As faixas “Baby Be Mine”, “The Girl Is Mine”, “P.Y.T”, “Lady Of My Life”, “Human Nature” são excelentes. Sem esquecer de mencionar as clássicas como “Billie Jean”, “Beat It”, “Wanna Be Startin Somethin” e “Thriller” marcaram a vida de qualquer ser deste planeta. Acho que mencionei todo o disco, mas é aquilo, se é um clássico, o que eu posso fazer?
16 – Seu Jorge – Samba Esporte Fino
“Papagaio que acompanha João de Barro se enrola, vira ajudante de pedreiro”.
O timbre de voz é inconfundível; desde sua primeira banda, a Farofa Carioca, eu piro no som desse cara. Muito swing apimentado em levadas de rap com mistura de samba-rock. Seu Jorge trouxe à tona a linha musical brasileira que foi criada na época de 70, que muitos tinham esquecido e que depois desse disco sentem a nostalgia da época. Faixas como “Carolina”, “Chega no Suíngue”, “Te Queria”, “Madá” e “De Alegria Raiou o Dia”, projetaram esse talentoso músico para emplacar sucessos nas casas de shows noturnas do país e exterior.
Boa pedida para o churrasco do fim de semana com geral!
15 – D’angelo – Voodoo
Quando ouvi, já me lembrei de Marvin Gaye. O timbre em falsete convence e as batidas na linha de soul, R&B e jazz são o que prendem o ouvinte pelo fato de serem assinadas por ?uestlove, algumas guitarras por conta de Rafael Saadiq e metais por Roy Hargrove. Um disco que vi numa loja antiga, já extinta, foi a primeira vez que julguei algo pela capa, achei que eram aqueles R&B melosos, daí um amigo comprou o disco e quando ouvi, tomei a pedrada na orelha! Já pedi emprestado pra fazer uma cópia e nisso foi o mês inteiro curtindo. Até hoje faz parte do cotidiano.
Para mim, as faixas que valem um “repeat” são “Spanish Joint”, “Feel Like Makin Love”, “One Mo Gin”, “Playa Playa”, “Devil s Pie”, “Left & Right”, “The Line”, “Send it On”, “The Root”, “Untitled”. Acho que mencionei quase todas, afinal o disco é maneiro, bom, foda, cabuloso, fantástico!
14 – Jair Oliveira – Disritmia
Recém-formado na escola de Berkeley e tendo conhecido pessoas como Missy Elliot e Busta Rhymes, Jair Oliveira trouxe na bagagem o soul, jazz e o Hip-Hop e fez junto com Samba uma boa mistura. Com isso, eu fiquei viciado no seu primeiro solo. Disritmia tem letras simples, mas com conteúdo abrasileirado onde se canta a dor e o amor.
Se for nomear esse gênero, eu diria experimental, onde faixas como “Chore a chuva”, “Olha aí”, “Falta Dizer”, “Dia Quente”, “Você por perto” e “Vivo Andando” fazem parte do cardápio. Basta degustar!
13 – The Roots – Things Fall Apart
Essa banda pra mim é a melhor no gênero. The Roots fez uma revolução mental na construção da minha carreira. Lembro quando ainda nem tínhamos criado o Ataque Beliz era apenas uma banca chamada Esquadrão do Verso, uma vez peguei um fita cassete emprestada com Hadda e tinha um show deles gravado no Free Jazz (Que hoje é Tim Festival) aqui no Brasil, pra ser sincero, eu pirei! Achei muito foda as improvisações da banda e a versatilidade de Black Thought por ser o único vocalista, assim que assisti a fita junto com Higo Melo e Mulumba Tráfica, começamos um processo de atualização em estrutura de banda, nem queríamos mais esse papo de tocar com CD e sim queríamos uma banda para poder ter essa versatilidade que existe no The Roots e por esse vídeo-aula, hoje tocamos com banda! (risos)
Desde de que vi esse show, comecei a garimpar música dos caras. Primeiro ouvi “Next Moviment” e já enlouqueci, depois consegui uma cópia desse álbum e terminei de evoluir minha vontade em querer tocar somente com banda. Músicas como “Step Into The Realm”, “Adrenaline”, “You Got Me”, “100% Dundee” e “Dynamite!” nunca deixarei de escutar e pretendo sempre apresentar a quem se interessar em querer dar um som acústico às suas produções.
12 – Q-Tip – The Renaissance
Ele é gênio! Suas rimas e flow sempre chamaram atenção quando era da Tribe (A Tribe Called Quest). Fez hits, mas ao ouvir esse disco pude descrever por que eu o chamo de gênio: um disco temperado de funk e R&B com refrões que pegam é a soma desta obra! Foi difícil escolher apenas um som, eu recomendo TODAS AS FAIXAS desse álbum!
11 – Djavan – Djavan
Em “Perigo”, Xis disse: “Coisa de acender, Djavan faz a cabeça”. Acho difícil quem não curte esse cara. Nem sei quando comecei, apenas sei que ele já fazia sucesso em trilhas de novelas. Existem diversos discos e neles, diversos clássicos. Mas quero deixar que o meu favorito é seu segundo disco, “Djavan”. Nesse posso dizer que ele consagrou-se um artista da MPB. Entre arranjos e letras, pra mim é o melhor entre os melhores. Música como “Álibi”, “Samba Dobrado”, “Dupla Traição”, “Serrado” e “Numa Esquina de Hanói” são destaques. Recomendo!!!
10 – Rashaan Patterson – After Hours
A primeira vez que ouvi foi no DVD “Alcatraz Concert Live”. Tinha diversos artistas respeitados e foi lá que respeitei mais um. Esse cara não segue padrão de R&B que todo mundo gosta. Ele brinca com harmonias, visita o Soul e vai até em acapella. Seu timbre nem soa parecido com outros e é por isso que ele mostra que não é mais um, e sim único. Indico “So Hot”, “April’s Kiss”, “The One For Me”, “I Always Find Myself” e “You Make Life So Good”.
9 – Floetry – Floetic
Quando quiserem ouvir sobre poesia e sensualidade no vocal escute essa dupla, por que elas terão o tempero certo.
Desde a primeira vez que ouvi não parei mais. Puro Neo Soul, onde o canto lírico mistura-se com o Rap e R&B. Queria citar algumas, mas estarei sendo injusto, portanto, escutem TODAS. Quando for ouvi-lo, convide esposa (o), namorada (a), ficante etc. Pega as taças de vinho, ambiente meia-luz e a trilha sonora, já sabe!
8 – Fugees – The Score
Meu primeiro álbum de Hip-Hop. Ganhei de presente quando meu pai fez uma viagem para São Paulo e chegou com essa novidade. Fiquei viciado no disco, toda hora, todo dia, estava lá tocando no meu som, por mais que não tivesse mais nada novo ou mesmo se tivesse, ele foi o famoso empurrão para apreciar sem moderação essa cultura.
As faixas “How Many Mics”, que é um porradão na orelha, “Fu – Gee –La” que a Lauryn Hill fez uma levada que coloca qualquer MC no bolso, “Cowboys” com Rah Digga e Jonh Forte destruindo também e “Ready or Not”, que era o hit nos carros aqui, não saíam da minha mente.
7 – Warren G – I Want It All
Considerado um “G-Funk”, esse disco tem uma qualidade sonora excepcional. Warren G não seguiu a mesma filosofia dos amigos como Dre e Snoop, colocou fora do seu mundo o taxado “Gangsta Rap” e, por esse fato, o disco traz inovações pela época: G trabalhou o álbum com banda e trouxe outra sonoridade ao Hip-Hop. Clássicos como “Gangsta Love”, “I Want It All”, “My Momma” e “G-Spot”, que finaliza o disco, o melhor momento de ouvi-lo é no famoso rolê pela cidade, no carro ou no fone de ouvido.
6 – Jazzanova – No use
DJ “A” tem um acervo de pedras guardadas no seu HD e assim, chegou e apresentou essa banda. Como diz Hadda Mc: “Tomaaaa!”, porrada na orelha! Toda mistura relacionada a jazz, eu aceito a proposta e os nativos de Berlim sabem muito bem como fazer isso. Logo que ouvi, não cansei mais e disse: Então, vamos ter que encaixar ela no repertório. Então tá! (risos)
5 – Blackstar – Mos Def e Talib Kweli
Essa dupla fez uma explosão no cenário underground. Assinou o nome na pedra do Hip-Hop, colocando Nelly, Jay-Z, Eminem e cia, que na época eram considerados os melhores MC’s, no chinelo quando ouviram isso.
Com produção de DJ Hi-Tek, esse disco nunca sai da lista do meu MP3 player, tanto em letra quanto instrumental, Blackstar soube transmitir a mensagem em cada faixa. Destaque para “Astronomy”, “Definition”, “Re-Definition”, “K.O.S”, “Respiration” e “Brown Skin Lady”, que considero como a melhor faixa do disco, a que quando termina, ela reinicia…
Já faz mais de 10 anos de lançamento desse disco e ainda sinto a mesma sensação que tive quando o ouvi pela primeira vez. FODA!
4 – Bone Thugs-N-Harmony – The Art Of War
No natal de 1995, passei na casa da minha tia para desejar prosperidade e assim que cheguei à sala, encontrei meu primo com o disco “Creepin Come Up” na mão. Ele estava ouvindo e fazendo caretas como se estivesse pirando com o flow dos caras. A primeira impressão quando ouvi também foi essa. O que é isso? Um flow diferente do que costumava ouvir. Rimas como metralhadora onde a batida não embala para pista por que as rimas congelam atenção de quem escuta. O disco é bom, mas não o bastante quanto o “Art Of War” que foi para mim o melhor disco deles. Onde posso escutar todas as faixas, se quiser! Destaque para “Handle the Vibe”, “It’s All Mo’ Thug”, “Ain’t Nothin Changed”, “It’s All Real”, “Family Tree”, “Hatin Nation” e “Thug Luv” com participação de 2pac. Bone Thugs foi uma trilha sonora para diversos MC’s aqui do cerrado.
3 – 2pac – Me Against The World
Não posso mentir. A época do Gangstar Rap predominava aqui no Distrito Federal. Nomes como Snoop Dogg, Dre, Ice Cube e N.W.A embalavam os antigos “lazeres” que eram feitos na cidade satélite. Fora que circulava as fitas VHS e somente “os caras” que tinham elas. Mas nada que um amigo de um amigo não consiga. E foi nessas que conheci 2 Pac com sua poesia afinada em cima de beats sampleados que me fizeram abordar dois temas. Depois que o antigo “Yo Rap’s” passou a tradução da “Keep Ya Head Up”, onde ele rima “Enquanto alguns preferem andar de Mercedes Benz, eu prefiro preservar meus amigos”. Eu percebi que não era só besteira que saia da boca dos melhores MC’s. Porque alguns nem questionam e nem procuram se informar sobre o que estão ouvindo, apenas balançam a cabeça e dizem que é foda o som! Outro detalhe são os samples usados, sempre que ouvia algo foda dele ou de outro, eu procurava quem ele sampleou. Rolava essa disputa entre eu e Higo Melo para saber quem tinha a original mais foda! (risos)
Mas voltando a 2pac, acho um indescritível poeta. O cara era rua e abalou o cenário com rimas agressivas e conteúdo. Destaco o disco “Me Against The World” com uma obra de clássicos. Chamo atenção para “Fuck the World” “Dear Mama” “Can U Get Away” “Temptations” e “Me Against the World”. Biggie Smalls poderia ter o flow mais absurdo, mas 2pac tinha a poesia mais verdadeira. #fato
2 – Bob Marley – Chant Down Babylon
Assim como Djavan, outro nome é Bob Marley, que também tem um acervo musical incontestável. Mas o que não sai dos fones é o remix “Chant Down Babylon”, onde artistas como Busta Rhymes, Guru, Lauryn Hill, Erykah Badu, Chuck D e Black Thought deram sua colaboração nas faixas “No More Trouble”, “Jammin’” e “”Rastaman Chant”. Detalhe; É necessário ouvir TODAS as faixas!
1 – XIS – Seja Como For
Para mim, esse disco fez uma reviravolta no cenário do rap nacional. Enquanto muitos seguiam a “mesmice”, ele (Xis) cortou caminho. Desde a primeira vez que ouvi esse disco fiquei fascinado, achei as produções do KL Jay tudo a ver com a linha que o Xis queria transmitir, e isso que é bom, quando você expressa o que realmente a batida pede.
Suas letras são agressivas e com poesia intensa e realmente vivida, as participações assinaram para sempre melodias e rimas na cabeça de pessoas como a minha. Destaque para as faixas “Vai e Vem”,”Bem Pior”, “Só Por Você”, “Perigo”, “Seja Como For” e “2092 a Lei da Rua”.
ai foi cabulossaaa! muito vibe 90! dj e mc em ação no NCDO! muito bom o post!
Negrojonas
Posted November 26, 2010 at 4:09 PM
Salve Salve…
Sonzeira de origem, é assim que se faz…
A música e suas vertentes nos inspirando e ajudando a levar o melhor da nossa alma ao extremo, então nada melhor que a boa música… Salve mais uma vez assim que se faz… O Bom Som é sempre bem vindo, o Paranoá agradece a origem.
Desejo muita fé, porque a sorte ficou para os incompetentes.
Att;
Negrojonas
Jaqueline Meire
Posted November 26, 2010 at 5:25 PM
Muito bom o repertório! em qualquer momento pode ser escutado! bacana poder ter essa visão de um artista, ver o que pensa, ouvir as histórias que são reflexo do que é hoje! Se deixar de falar da mixagem do DJ A! representouuu!
Esse poste é como uma MIX em um restaurante internacional onde o dono (Anderson) oferece pratos como: feijoada, tex-mex, creole cuisine, roast dinner, sturgeon. FORTE!!! E o Dejota A é o Chefe. HAHAHAHA!
Abraços meus queridos Irmãos.
Caio
Posted November 29, 2010 at 2:58 PM
Uma sequência de músicas que fazem parte de quem nasceu em 70, amadureceu em 80 e envelheceu em 90 e teve um “replay” no dois mill!rs
ai foi cabulossaaa! muito vibe 90! dj e mc em ação no NCDO! muito bom o post!
Salve Salve…
Sonzeira de origem, é assim que se faz…
A música e suas vertentes nos inspirando e ajudando a levar o melhor da nossa alma ao extremo, então nada melhor que a boa música… Salve mais uma vez assim que se faz… O Bom Som é sempre bem vindo, o Paranoá agradece a origem.
Desejo muita fé, porque a sorte ficou para os incompetentes.
Att;
Negrojonas
Muito bom o repertório! em qualquer momento pode ser escutado! bacana poder ter essa visão de um artista, ver o que pensa, ouvir as histórias que são reflexo do que é hoje! Se deixar de falar da mixagem do DJ A! representouuu!
Orgulho do BSB! Sempre com novidades!
sucessoooo!
Esse poste é como uma MIX em um restaurante internacional onde o dono (Anderson) oferece pratos como: feijoada, tex-mex, creole cuisine, roast dinner, sturgeon. FORTE!!! E o Dejota A é o Chefe. HAHAHAHA!
Abraços meus queridos Irmãos.
Uma sequência de músicas que fazem parte de quem nasceu em 70, amadureceu em 80 e envelheceu em 90 e teve um “replay” no dois mill!rs
muito bom!!!